O
Homem e o Envelhecer
A
Andropausa
O
termo andropausa pretende estabelecer uma analogia com a menopausa. Esta
corresponde ao período de vida da mulher caracterizado por importantes modificações
hormonais. Na menopausa ocorre a parada da produção e eliminação de óvulos
pelos ovários, com o desaparecimento do período menstrual.
A andropausa seria uma fase da vida do homem, caracterizada por diminuição
da atividade física e sexual, perda da massa muscular e da densidade do osso,
distúrbios do humor, entre outras alterações. O principal fator desencadeante
de tais alterações seria a diminuição dos níveis de testosterona (hormônio
masculino) no sangue.
Embora
alguns autores tenham tentado estabelecer uma comparação, existem controvérsias
quanto à ocorrência no homem, de uma situação semelhante a que ocorre na
menopausa feminina. A meu ver, a comparação com a menopausa não é adequada.
No caso do homem, não existem alterações clínicas e laboratoriais tão
marcantes como as que ocorrem na menopausa.
Modificações da resposta sexual masculina
em decorrência do
envelhecimento.
Inúmeros
pacientes procuram os médicos com a esperança de obter de volta a ereção que
tinham quando eram jovens. O profissional deve ser capaz de tranqüilizá-los a
respeito do processo normal do envelhecimento, despertando-os para consciência
de que são perfeitamente capazes de manter uma atividade sexual satisfatória.
Caso contrário estes pacientes iniciarão uma peregrinação pelos consultórios
e acabarão afetados por uma obsessão pelo desempenho, incorrendo em
tratamentos caros e na maioria das vezes desnecessários.
Uma
das principais alterações observadas com a idade ocorre no tempo necessário
para a ereção se processe. Se no jovem a ereção ocorre imediatamente após
um pensamento erótico, no idoso o tempo decorrido será bem maior.
As
sensações oriundas do próprio pênis, também são transmitidas ao cérebro
com menor rapidez e intensidade, em decorrência do envelhecimento do sistema
nervoso. Por isso, o idoso necessita de uma maior e mais prolongada estimulação
tátil do que um jovem. O contato físico e o estímulo direto do pênis tornam-se bem mais necessários.
A
quantidade do esperma pode diminuir com a idade. Isso decorre de uma menor secreção
de líquidos pelas vesículas seminais e próstata. A força do jato ejaculatório
também diminui. Independente dessas alterações, diferente do que ocorre com a
mulher, a capacidade de reproduzir do homem não se interrompe com a idade.
A
sensação do orgasmo, quando diminui, no homem idoso, está relacionada a
fatores emocionais ou ao comprometimento do sistema nervoso e/ou vascular
decorrente de diversas doenças, que são mais freqüentes a medida em que a
idade aumenta.
O
tempo necessário para uma nova ereção após uma ejaculação (período refratário),
aumenta junto com a idade. Conforme já vimos, um jovem pode apresentar uma nova
ereção, alguns minutos após ejacular. Um homem idoso pode necessitar de
muitas horas e até dias para que tal procedimento seja possível.
O
desejo não se modifica obrigatoriamente com a idade, embora seja esperada uma
diminuição dos níveis de testosterona no sangue. No homem, os fatores
emocionais, estão mais envolvidos no desejo do que o simples estímulo
hormonal. Isso explica a razão de homens de idade avançada apresentarem seu
desejo sexual preservado, mesmo com diminuição da secreção de testosterona.
As
Incertezas da Parceira
Se
o homem, na maioria das vezes, não entende as modificações que o seu
organismo apresenta, em decorrência da idade, imaginem a sua companheira. Por
absoluta falta de informações, a mulher pode interpretar essas mudanças de
uma maneira completamente errada. Essa interpretação leva a medos infundados,
cobranças prejudiciais e outras condutas inadequadas.
Acreditando
as mudanças do comportamento de seu companheiro são devidas ao desinteresse
por ela, a mulher pode afastar-se do parceiro. Esse tipo de conduta aumenta a
insegurança do homem e agrava ainda mais a situação.
Quando
homem não apresenta uma ereção imediata, a mulher, com receio de deixá-lo
constrangido, pode desistir e parar de estimular o companheiro, privando-o
do tempo necessário para que a ereção se processe.
Em
qualquer situação, a falta de dialogo entre os parceiros impede o
esclarecimento de dúvidas e anseios. O afastamento do casal incrementa um ciclo
vicioso que dificulta a resolução dos problemas.
A
Mulher e o Envelhecer
A mulher sofre ainda mais que o homem com os preconceitos relativos à prática
sexual a partir de uma determinada idade. No entanto como vimos, estando a
mulher de qualquer idade, em boas condições gerais de saúde não existem
limitações orgânicas à atividade sexual. Nunca é demais repetir que, para
evitar as conseqüências negativas das informações erradas que
assimilamos ao longo dos anos é importante conhecer as modificações que
ocorrem no organismo da mulher com o envelhecimento.
Menopausa
A menopausa corresponde a um período da vida da mulher em que ocorrem profundas
modificações hormonais e metabólicas, que levam a interrupção do processo
da ovulação e da menstruação. Geralmente inicia-se em torno dos 45 anos de
idade, podendo, no entanto ser bastante variável de mulher para mulher.
A partir da menopausa, em virtude de não produzir mais óvulos, a mulher,
obviamente, não é mais capaz de engravidar.
Apesar das modificações mencionadas, não existem razões significativas para
que a sexualidade
feminina se altere com a menopausa. Em muitos casos, vendo-se
a mulher livre da possibilidade de engravidar, o interesse pelo sexo pode
até mesmo aumentar.
Uma das principais
queixas das mulheres após a menopausa é o ressecamento vaginal, devido à
diminuição das taxas hormonais, principalmente dos estrogênios. Este
ressecamento pode causar dificuldade, um certo desconforto e até mesmo dor à
penetração do pênis. Este problema será facilmente resolvido através da
reposição hormonal prescrita pelo médico.
As alterações hormonais e metabólicas também produzirão algumas modificações
no corpo da mulher, notadamente no acumulo de gordura e na elasticidade da pele.
Tais alterações têm ação mais intensa na esfera do emocional, pelo
comprometimento da auto-estima e da imagem corporal, do que na resposta sexual
propriamente dita. Independente dos cuidados com o corpo é importante que a
mulher aprenda a envelhecer com dignidade, reconhecendo suas qualidades e seus
pontos fortes. não considerando tão somente a sua condição estética.
Procedendo desta forma, certamente não existirão razões para que a mulher se
considere menos atraente para o seu parceiro.
Amor
ou Sexo
Em idades mais avançadas, realmente, o comprometimento das condições físicas
e a presença de doenças diversas podem comprometer o relacionamento sexual do
casal. Nestas condições é importante lembrar que o amor e o sexo, apesar de
andarem juntos durante boa parte da vida, são fatores independentes.
Sentimentos como o companheirismo, o afeto, a cumplicidade e o carinho,
descobertos e cultivados ao longo de toda uma vida, proporcionarão ao casal
idoso a motivação e a alegria que estarão presentes até o fim de suas vidas.