Consideramos como inadequação
sexual aqueles casos em que um ou ambos os parceiros apresentam uma
disfunção ou desvio sexual que leve à desarmonia entre o casal.
Conforme já
observamos, o perfeito relacionamento afetivo e sexual do casal envolve não
só questões de ordem orgânica e prática, bem como importantes aspectos
emocionais.
Nos casos de origem não orgânica, a falta de experiência, as informações
distorcidas sobre a sexualidade, repressões sexuais na infância, repressões
por má interpretação de conceitos religiosos, mitos e tabus, os mais
diversos, são observados com freqüência.
Independente das disfunções sexuais propriamente ditas, diferenças nas
preferências sexuais dos parceiros também merecem destaque, pois podem ser
causas de conflitos. Por exemplo: Determinadas pessoas preferem ter
relações sexuais a noite, outros pela manhã ou no decorrer do dia. Um dos
parceiros pode preferir determinadas posições ou práticas sexuais
diferentes das preferências do outro. Desde que nenhum dos parceiros sinta-se
violentado com tais práticas, estas opções devem ser francamente discutidas
possibilitando um acordo que atenda e seja prazeroso para os dois.
A vida moderna, com suas novas formas de pressões e conflitos nos autoriza a
mencionar mais uma causa de transtorno entre os casais. o desencontro
sócio-econômico. Em virtude da possibilidade dos dois parceiros trabalharem,
muitas vezes em em extensas e estafantes jornadas, pode ocorrer um
desencontro de oportunidade e ânimo para a atividade sexual. A competição
existente entre os parceiros por melhores salários e status também não pode
ser esquecida como fonte de problemas.
Todas as situações mencionadas anteriormente são agravadas pela falta de
dialogo entre o casal e pelo medo ou vergonha de procurar um tratamento, que
muitas vezes o casal sequer sabe que existe.
Para tornar o problema ainda mais complexo, um casal
pode ser considerado adequado mesmo que existam disfunções sexuais, como nos
exemplos a seguir:
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Um homem
com impotência e a mulher com frigidez.
Desde que não existam cobranças
ou conflitos, a
convivência do casal será harmônica.
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Outra
situação seria aquela envolvendo um parceiro
sádico com o outro
masoquista.
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Nos
casos onde o homem apresente ejaculação precoce
e mulher tenha
a capacidade de atingir rapidamente o
orgasmo, o problema pode não
ser sequer percebido. |
Em determinadas situações, um dos parceiros, com o objetivo de encobrir sua
própria dificuldade, pode assumir uma atitude que piore ou impeça a
resolução da disfunção sexual apresentada pelo outro. Por exemplo:
uma mulher sem interesse pelo sexo pode assumir uma postura que humilhe
e mantenha o parceiro que sofre de disfunção erétil sob controle, evitando
assim a atividade sexual. Um homem com dificuldade de ereção pode acusar a
mulher de ser fria e desinteressante, mascarando a razão do problema e
transferindo a responsabilidade para o outro. Se estas situações forem
assumidas pelos parceiros a relação pode se manter estável, apesar do
sofrimento vivido pelo casal.
No entanto, na grande maioria dos casos, as disfunções sexuais levam
invariavelmente ao comprometimento emocional e afetivo do casal. Como
vimos, em muitos casos os parceiros não conseguem sequer conversar sobre seus problemas.
Sem saber como resolver suas dificuldades, o casal afasta-se física e
afetivamente e não raro ocorre a dissolução do relacionamento.
Mais uma vez repetimos que o diálogo é uma opção possível. Existem é
claro, situações em que torna-se necessária, uma ajuda externa. Se existe
amor, afeto e o interesse em manter o relacionamento, uma terapia de casal
será, sem sombra de dúvidas, benéfica. Neste caso é extremamente
importante que os dois parceiros estejam de acordo, pois de nada
adiantaria a participação forçada de um deles. O tratamento ajudará a
compreender as razões das dificuldades e a perceber novas formas de lidar com
as mesmas, possibilitando uma reaproximação e integração do casal.
Até mesmo naquelas situações em que dissolução do relacionamento for a
única opção, a terapia possibilitará que esta passagem seja vivida sem
grandes traumas ou conflitos, tornando os parceiros mais preparados para
usufruir de relações futuras.