
Nos dias atuais, em decorrência da evolução contínua dos medicamentos, do
aprimoramento das técnicas cirúrgicas e dos excelentes resultados obtidos pelas
técnicas de psicoterapia, as disfunções sexuais são passíveis de altos
percentuais de resolução.
A
dificuldade para iniciar o tratamento, seja por falta de oportunidade, vergonha
ou medo de enfrentar os resultados é o grande obstáculo a ser vencido.
Como
ocorre em qualquer doença, o tempo decorrido entre o início dos sintomas e o
início do tratamento apresenta uma relação direta com os resultados obtidos.
Assim sendo, é importante iniciar
o tratamento o mais rápido possível. No entanto, não é raro encontrarmos
pacientes com disfunções sexuais há dezenas de anos sem terem recorrido a um
tratamento adequado.
Primeiramente,
para desfrutar de uma perfeita saúde sexual torna-se fundamental conhecer
alguns conceitos básicos.
Contexto
Sociocultural
Sendo
desprovida de garras ou presas, que a colocassem em igualdade de condições de
sobrevivência com os demais animais, a espécie humana encontrou sua força no
convívio com seus semelhantes. Através de um processo constante do
aprimoramento na convivência tribal, um complexo modelo social foi
desenvolvido. Com o desenvolvimento de seu intelecto e organização social a
espécie humana, apesar de ainda manter alguns instintos primitivos,
acrescentou, ao ritual de acasalamento, diversos fatores ligados à esfera
social e emocional.
Ao
longo de milhares de anos, regras e padrões de comportamento foram
estabelecidos. No decorrer do tempo, o sexo ocupou o seu espaço variando entre
extremos, foi exaltado como objeto de fertilidade e padrão social e também
condenado como símbolo do pecado. O espécie humana transformou uma simples ação
biológica em uma das maiores fontes de conflitos emocionais.
Em
relação ao comportamento biológico, um importante aspecto merece consideração.
Nas diversas espécies animais, os estímulos que despertam o interesse sexual
entre macho e fêmea, são bem definidos e imutáveis. A época do acasalamento,
embora sofrendo variações nas diversas espécies, compreende um determinado
período de tempo e se repete em estações bem marcadas. Alterações hormonais
preparam a fêmea para a reprodução. Odores e atitudes específicas sinalizam
ao macho tal disponibilidade. A cópula tem o objetivo primordial da reprodução
e conseqüente perpetuação da espécie. Na formação dos casais, macho e fêmea
também atendem a diferentes responsabilidades perante a natureza. O macho deve
fecundar o maior número possível de fêmeas garantindo o aumento quantitativo
de seus semelhantes. A disputa entre os machos, na época do cio, permitirá que
a fêmea acasale com o macho mais forte, garantindo o aumento qualitativo da espécie.
A
espécie humana apresenta peculiaridades. Nela as fêmeas são receptivas aos
interesses sexuais do macho em qualquer época do ano, independentes do período
férteis. A prática da atividade sexual manifesta-se também como fonte pura e
simples de prazer.
Os
conceitos de atos e procedimentos sexuais considerados como normais e aceitáveis,
são definidos pela Sociedade.
Os
estímulos que despertam o interesse sexual também sofrem influências
socioculturais. Em determinadas tribos primitivas, um pescoço, exagerado e
artificialmente alongado, pode ser considerado extremamente atrativo. A Cultura
Americana valoriza os seios, a Brasileira o bumbum, como atrativos que despertam
o interesse sexual.
Até
mesmo entre os dois sexos existem algumas diferenças em relação à resposta
aos estímulos sexuais,. Alguns estímulos podem ser altamente excitantes para
uma mulher e não tão fortes para o homem e vice-versa.
Resposta
aos Estímulos Sexuais
Para
um perfeito entendimento das disfunções sexuais é necessário conhecer de que forma os organismos masculino
e feminino respondem aos estímulos
sexuais.
A
resposta aos estímulos sexuais foi estudada por diversos pesquisadores: Master
e Johnson, Helen Kaplan, Wenger, Jones, entre outros. Cada um desses autores
dividiu a resposta sexual humana, de acordo com o seu entendimento, em fases
sucessivas, desde a excitação até o orgasmo. Neste site, não abordaremos tais
divisões na sua forma clássica.
Desejo
Sexual
O
primeiro fator é o desejo sexual, medicamente denominado libido. A libido faz a
pessoa desejar a outra e querer realizar o ato sexual.
Conforme
abordaremos em capítulo mais adiante, é natural que o desejo sexual varie de
intensidade, a mediada que o indivíduo envelhece. O desejo também é variável de
acordo com as características e personalidade de cada um.
A
libido está exacerbada quando existe um maior comprometimento afetivo entre o
casal e diminuída em condições contrárias e situações de estresse.
Com
relação às diferenças dentre homem e mulher, também aqui existem
peculiaridades. Os fatores que podem despertar o desejo em homens não são
necessariamente os mesmo que o fazem nas mulheres. Os homens são mais sensíveis
aos estímulos visuais e à manipulação direta da área genital. As mulheres,
embora também sensíveis aos mesmos procedimentos, podem ser mais estimuladas
por sensações táteis suaves dirigidas à várias outras áreas do corpo.
O desejo é provocado pela atuação de determinadas substâncias,
chamadas neurotransmissores, que atuam no sistema nervoso. A testosterona também está envolvida com a manutenção da
libido. Alterações que afetem esses elementos comprometem a libido levando ao
desinteresse pela atividade sexual.
Excitação
No
homem, a estimulação sexual leva à ereção peniana. A ereção é uma
resposta do pênis aos estímulos, que podem ser uma imagem, lembranças, sons
ou a manipulação direta dos órgãos genitais.
Na
mulher, a estimulação sexual provoca um maior acumulo de sangue na região
genital, com aumento do clitóris e lubrificação vaginal.
Diferentes
estímulos desencadeiam a excitação de modos diferentes. No homem, a estimulação local
nos órgãos genitais provocam sensações que irão desencadear ereções ditas
reflexogênicas. (causadas através de um reflexo nervoso). Estímulos que
envolvem uma elaboração psíquica, tais como: uma imagem, lembranças, um
odor, determinadas palavras ou sons, etc., desencadeiam ereções ditas
psicogênicas.
Como vimos, o homem apresenta uma receptividade maior aos estímulos dirigidos
ã área genital. Por outro lado a
resposta sexual feminina pode ser desencadeada por estímulos distribuídos em
diversas outras áreas do corpo.
O
"tempo" exigido para que homens e mulheres se excitem também é
diferente. Usualmente, o homem se excita rapidamente enquanto na mulher
ocorre de uma forma progressiva e mais lentamente. Conforme
veremos a seguir, o não entendimento destas diferenças por parte do homem,
pode levar a dificuldades da mulher em atingir o prazer na relação.
Fase de Platô
A chamada fase de platô pode ser compreendida como o período de tempo onde a
excitação permanece em seu ponto máximo.
Fase Orgástica
O
orgasmo é a sensação de prazer que culmina a relação sexual.
Seu mecanismo
é complexo e sem sombra de dúvidas sofre influência do condicionamento psicológico
do indivíduo.
No
homem o orgasmo, geralmente, ocorre simultaneamente à ejaculação.
Todavia pode ocorrer ejaculação sem orgasmo e vice-versa. A
ejaculação caracteriza-se pela saída de esperma através da uretra, promovida pela contração espasmódica de determinados músculos
existentes na região perineal.
Fase
de Resolução
Após
o orgasmo, sobrevêm uma sensação de relaxamento intenso em todo o corpo. As
modificação orgânicas sofridas pelos órgãos genitais durante a excitação
regridem ao seu estado normal. O pênis
readquire seu estado de flacidez em poucos minutos.
O
Período Refratário
Depois
do orgasmo e da ejaculação, o homem apresenta o que chamamos de período refratário. Durante um certo período de tempo não é possível uma nova excitação
sexual que consiga produzir outra ejaculação. A duração do período refratário
é variável de homem para homem e aumenta com a idade do indivíduo, podendo
compreender desde alguns minutos no caso de adolescentes, até horas ou mesmo
dias e homens idosos. A mulher não
possui essa característica sendo, algumas, capazes de apresentar diversos
orgasmos consecutivos. (orgasmos múltiplos)